DEPENDÊNCIA QUÍMICA
Mulheres encontram na Rede Acolhe chance para superar as drogas
Em 2021, o programa de tratamento para dependentes químicos do Governo de Alagoas ampliou em mais de 30% o número de acolhimentos
Everton Dimoni
terça, 08 de março de 2022 às 16h15
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Vitor Beltrão
Texto de Everton Dimoni
Fotos de Vitor Beltrão
Elas são mulheres que têm histórias diferentes, origens diferentes e pertencem a diferentes gerações, mas compartilham um grande propósito de vida: vencer a dependência química. Neste 08 de março de 2022, Dia Internacional da Mulher, a Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev) conta a história de mulheres que revolucionaram suas jornadas e deram o primeiro passo para vencer o maior desafio de suas vidas.
Roseane Silva e Selma Barros são exemplos de superação. Cada uma a seu tempo percebeu que a vida poderia oferecer mais do que um punhado de droga ou uma dose de bebida, e cientes da luta que iriam travar buscaram ajuda profissional na Rede Acolhe. As duas estão em tratamento na Comunidade Acolhedora Casa Betânia e o depoimento delas mostra que ter a saúde regenerada e retomar o convívio social com dignidade são apenas algumas das vantagens de ser livre.
“Minha história é sobre o crack, droga que conheci em 2007 e que foi a desgraça da minha vida por 15 anos”, conta Roseane. “Cheguei a me prostituir e roubar, abandonei os meus filhos por causa da droga e quase perdi a vida numa armadilha que armaram pra mim. Precisei reunir muita força para procurar ajuda. Estou há quatro meses na Casa Betânia, faltam apenas dois meses para eu concluir meu tratamento e retomar a minha vida”, conta.
Na comunidade, Roseane foi acolhida pela equipe multidisciplinar formada por psicóloga, assistente social, técnicas e voluntárias que auxiliam as mulheres na sua caminhada minimizando as chances de recaída. “Agradeço muito a Deus por termos essas comunidades que salvam almas, curam e libertam a gente da droga. Entrei aqui com foco porque eu não quero mais ser aquela Roseane que usava drogas, quero ser a Roseane sóbria”, enfatizou.
E esta decisão tem sido cada vez mais frequente entre mulheres alagoanas que convivem com o vício. Em 2021, a Rede Acolhe ampliou em mais de 30% o número de atendimentos e totalizou 271 acolhimentos prestados a mulheres e adolescentes do sexo feminino.
É o caso da dona Selma. Sua história com a dependência química também iniciou com o crack, mas foi o abuso de álcool que a levou para o fundo do poço. Hoje, com 49 anos, Selma coleciona cicatrizes pelo corpo, marcas de uma vida regida pelas drogas.
Essa história começou a mudar após Selma aceitar o convite de uma pessoa próxima e iniciar o tratamento. “Se eu não estivesse aqui na Casa Betânia, eu estaria dormindo na rua, arrasada com certeza. O que tem aqui é amor, as pessoas aqui têm amor e carinho para dar e eu estou aprendendo a amar as pessoas ao meu redor. Quando concluir o tratamento vou morar com a minha filha, não quero mais beber, quero ser uma nova pessoa”, afirma Selma.
Hoje a Rede Acolhe conta com 35 comunidades acolhedoras que oferecem gratuitamente 750 vagas para acolhimento na capital e no interior do estado. Homens, mulheres e mesmo adolescentes a partir dos 12 anos podem iniciar o tratamento.
Os interessados em buscar tratamento em uma das comunidades acolhedoras credenciadas ao Governo de Alagoas, o atendimento pode ser feito em um dos três Centros de Acolhimento, em Maceió, Arapiraca e Santana do Ipanema, ou agendando uma visita das equipes técnicas pelo número 0800.280.9390.