Instituições debatem mediação de conflitos para convívio social

Formas alternativas de resolução de problemas foram apresentadas em evento promovido pela Sepaz

quinta, 15 de maio de 2014 às 00h00

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Mariana Lima 

O debate sobre as três vertentes da mediação de conflitos – judicial, comunitária e escolar – como formas pacíficas e não-violentas de resolução de conflitos lotou o auditório do Senai, em Maceió, onde aconteceu o 2º Seminário de Mediação de Conflitos, na tarde desta quarta-feira (14).

Promovido pela Secretaria de Estado de Promoção da Paz (Sepaz), com participação da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL). Cada instituição apresentou um eixo da mediação: comunitária, pelo secretário Adalberon Sá Júnior; escolar, pela professora Lavínia Cavalcanti;e judicial, pelo desembargador Tutmés Airan. 

O público foi composto em sua maioria por estudantes universitários, principalmente dos alunos de Direito e Psicologia, além de professores do ensino fundamental e médio. Um grupo que se destacou, porém, foi o de 37 alunos do Curso de Formação de Oficiais (CFO) da Polícia Militar de Alagoas. 

“Nós estamos no 2º ano do curso, na fase de preparação técnico-profissional, onde procuramos cursos distintos que busquem aprimorar a ação diante de ocorrências mais complexas. E esse curso mostra justamente uma forma diferente de ação”, explica o cadete PM Lins. 

Esta vontade de resolução alternativa de problemas também chamou atenção da universitária Clarianne Marinho, do 2º período de Direito na Estácio-FAL. “É uma forma mais rápida e prática de se chegar a uma solução sem ocupar mais ainda o Judiciário, então eu quis saber como isso funciona”, conta.

 

Formas de mediação 

Os palestrantes mostraram, cada um, os aspectos positivos da mediação de conflitos em suas vertentes. 

“O processo é um monte de papel, uma versão dos fatos, enquanto a mediação resolve o conflito real. As pessoas estão mais predispostas a restaurar a paz naquele momento da conversa do que esperar todo o decorrer do processo para que a justiça resolva o seu problema –e, em muitos casos, essa resposta já não representa mais nada para as partes”, expôs o desembargador Tutmés Airan. 

Na mediação escolar, a professora Lavínia Cavalcanti expôs que o conflito é positivo, desde que a sociedade consiga trabalhá-lo de forma adequada. “Temos empregado a formação de mediadores em sete escolas públicas aqui no estado e vemos como aqueles alunos mais danados, quando trabalhados e canalizando a liderança negativa para algo produtivo, conseguem atuar como mediadores e transformam o ambiente da escola e da própria casa”, disse Lavínia. 

A mediação enquanto estratégia de prevenção da violência e pacificação social foi abordada pelo secretário da Paz, Adalberon Sá Júnior. “Dados da Polícia Militar apontam que a maioria dos crimes de proximidade entre vizinhos, familiares ou conhecidos, começam com um pequeno problema que não é abordado da forma apropriada e evoluem para uma agressão física ou até um crime como o homicídio. Mediar é a forma como cada um de nós pode contribuir objetivamente para a Alagoas de paz que todos queremos”.

O evento foi encerrado com o convite para um exemplo prático deste Seminário: a inauguração da Casa de Direitos do Mirante do Jacintinho, no dia 30 de maio.


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