Em Alagoas, dependentes químicos vencem as drogas e compartilham esperança

A Rede Acolhe já atendeu 1.643 pessoas até maio de 2021

quinta, 24 de junho de 2021 às 00h00

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Vencer a dependência química e começar uma vida nova longe das drogas não é uma tarefa simples e muitas vezes nem mesmo dependentes veem essa mudança como uma alternativa plausível, devido à intensidade do vício e à falta de perspectiva para o futuro. No entanto, Alagoas tem mostrado que, entendendo as questões individuais que levam ao consumo de entorpecentes e oportunizando o tratamento adequado, é possível combater a dependência química e abandonar o vício.

Ano após ano, o Estado tem registrado milhares de histórias de sucesso envolvendo homens, mulheres e até adolescentes que tiveram suas vidas impactadas pelo uso de álcool e outras drogas, mas conseguiram dar a volta por cima e, hoje, compartilham com orgulho suas memórias de superação. Eles mostram que ter a saúde regenerada e retomar o convívio social são apenas algumas das vantagens de ser livre; os benefícios não param por aí.

A ex-acolhida Niedja Lúcia da Silva, de 49 anos, conta que abandonar o consumo abusivo do álcool devolveu sua dignidade e trouxe de volta a confiança para retomar a vida profissional. Ela está limpa há 2 anos e 9 meses e retornou ao mercado de trabalho de cabeça erguida para exercer o seu talento de cozinheira.

“Tudo começou como brincadeira, por volta dos 15 ou 16 anos, e no final das contas precisei vender a minha casa, fruto do meu trabalho, para ter dinheiro para beber. Por causa do vício, perdi um emprego de 11 anos, mas hoje, depois de tratada, meus patrões me aceitaram de volta para trabalhar e estou muito feliz pelo voto de confiança”, comenta.

Ela diz ainda que o processo de superação trouxe experiências que fazem parte da sua rotina até hoje. Plenamente recuperada, ela ajuda outras mulheres que passaram por situações semelhantes a vencer a dependência, e vê na atividade um propósito de vida.

“Me engajei no serviço social da comunidade terapêutica onde fui atendida e lá compartilho minha história e mostro como a vida é boa sem o vício e as drogas. O que eu vivo hoje é maravilhoso e sou grata a Deus pela oportunidade de dividir com elas as coisas boas que redescobri na minha vida”, disse.

A história da Niedja reflete a realidade de muitos ex-dependentes que largaram o vício em um momento crítico de suas vidas. Foi o que aconteceu com Luiz Carlos Gomes, de 36 anos, que quase perdeu a vida por causa de uma pedra de crack e 50 gramas de maconha.

Em uma disputa com outro usuário, ele foi alvejado com oito tiros, dos quais dois atingiram a coluna e o colocaram em uma cadeira de rodas. Mesmo assim, ele não perde o otimismo e fala com ânimo sobre o futuro.

“O que aconteceu comigo me fez refletir sobre a minha vida e sobre o que eu realmente quero para mim. Iniciei o tratamento e já estou há mais de oito anos sem usar drogas. Aproveitei todas as oportunidades de curso que me foram ofertadas e, mesmo aposentado, me sinto disposto para trabalhar”, afirmou.

REDE ACOLHE

Em Alagoas, o atendimento a dependentes químicos acontece através da Rede Acolhe, que já atendeu 1.643 pessoas até maio de 2021. Coordenado pela Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev), o programa conta com 35 comunidades terapêuticas que ofertam 750 vagas para tratamento gratuito na capital e no interior do estado.

Para quem busca atendimento em uma das comunidades acolhedoras credenciadas ao Governo de Alagoas, o atendimento pode ser feito em um dos três Centros de Acolhimento, em Maceió, Arapiraca e Santana do Ipanema, ou agendando uma visita das equipes técnicas pelo número 0800.280.9390.


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