VOLTA POR CIMA

Dependente químico supera o vício em crack com o apoio da Rede Acolhe

O programa para tratamento de dependentes químicos do Governo de Alagoas já acolheu 3.753 pessoas de janeiro a outubro de 2021

Everton Dimoni

sexta, 12 de novembro de 2021 às 14h50

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Vitor Beltrão

Texto de Everton Dimoni

Fotos de Vitor Beltrão

Uma desilusão amorosa vivida ainda na adolescência levou Alanier Santos a procurar refúgio no álcool e em outras drogas. Do consumo moderado no bar com os amigos, ele partiu para se aventurar no uso de substâncias ilícitas como a maconha, até ser apresentado ao crack e viver o período mais difícil de sua vida.

“Senti aquela curiosidade e decidi experimentar. A experiência foi explosiva, mas demorou pouco tempo, e quando o efeito passou, eu já estava correndo atrás e gastando o que tinha no bolso para sentir aquele prazer novamente. Eu já estava viciado”, recorda.

Morador do bairro da Ponta Grossa, em Maceió, ele relata que com o passar dos anos o vício trouxe problemas nunca antes imaginados por ele. “Tive complicações familiares, problemas com traficantes, até que precisei escolher entre ficar na sobriedade ou perder a minha vida”.

O ponto de virada veio quando Alanier procurou ajuda em uma das comunidades terapêuticas credenciadas à Rede Acolhe. O programa para tratamento de dependentes químicos do Governo de Alagoas é coordenado pela Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev) e conta com 35 comunidades acolhedoras que ofertam gratuitamente 750 vagas para tratamento na capital e no interior do estado.

“Fui encaminhado para uma comunidade em Craíbas e lá fui abraçado como se estivesse com a minha família. Eu tive apoio, tive casa, uma cama limpa, refeição todos os dias e pessoas para conversar comigo e partilhar o que eu sentia. Isso marcou a minha vida e foi fundamental para a minha superação”, enfatiza.

A coordenadora do Centro de Acolhimento de Maceió, Jullyana Gomes, explica que é possível combater a dependência e abandonar o vício, seja em crack ou em qualquer outra substância. Mas para isso, é necessário entender as questões individuais que levam ao consumo de entorpecentes e oportunizar o tratamento adequado.

“Nas comunidades acolhedoras cada caso é avaliado individualmente, e com a ajuda da equipe multiprofissional torna-se mais fácil vencer a condição de dependência. Ano após ano, a Rede Acolhe tem registrado milhares de histórias de sucesso de pessoas que tiveram suas vidas abaladas pelo uso de álcool ou de drogas ilícitas, mas conseguiram dar a volta por cima”, afirma a coordenadora.

Estatísticas

Dados atualizados da Seprev mostram que, de janeiro a outubro deste ano, 3.753 pessoas já receberam tratamento em uma das comunidades terapêuticas da Rede Acolhe. Deste total, 3.426 foram homens, 122 foram mulheres e 205 adolescentes, entre meninos e meninas. Até o final do ano, este número deve passar dos 4.000 atendimentos.

Para Alanier Santos, o programa trouxe mais do que a sobriedade, devolveu a vontade de viver. Hoje com 41 anos e de volta ao seio familiar, ele celebra a vida como algo precioso e vê na esposa e nas filhas razões suficientes para seguir no caminho do bem.

“Reconquistei minha família graças a Deus. Tenho uma filha de 14 anos, uma bebezinha de três e está sendo tudo maravilhoso. Precisei me reeducar para poder educá-las e ser um exemplo dentro de casa, principalmente para a adolescente”, afirmou.

Para quem tem interesse em buscar tratamento em uma das comunidades acolhedoras credenciadas ao Governo de Alagoas pode procurar um dos três Centros de Acolhimento, que ficam em Maceió, Arapiraca e Santana do Ipanema, ou agendar uma visita das equipes técnicas pelo número 0800.280.9390.

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