Dependente químico recuperado dá a volta por cima e recomeça no mercado de trabalho
Elivaldo Romário trabalha atualmente na Casa de Direitos, no Jacintinho
quarta, 28 de agosto de 2019 às 00h00
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Texto de Géssika Costa
Fotos de Vitor Beltrão
Quem visita a Casa de Direitos para tirar algum documento, mediar algum tipo de conflito ou fazer algum curso profissionalizante não imagina que Elivaldo Romário, funcionário terceirizado do equipamento da Secretaria de Prevenção à Violência (Seprev), situado no bairro do Jacintinho, poderia não estar trabalhando ali.
O jovem, atualmente com 25 anos, conseguiu reescrever a sua história depois de lutar contra o vício em cocaína. Na época, Elivaldo chegou a vender os móveis e eletrodomésticos da casa da avó onde morava, vagou por um tempo nas ruas, perdeu peso e, mais do que isso, a confiança dos familiares e amigos de infância.
O novo capítulo no livro da vida de Elivaldo passou a ser escrito apenas quando uma prima dele o encaminhou para o Centro de Assistência Social Betesda, uma das 35 comunidades acolhedoras que integram a Rede Acolhe.
Casado e pai de uma filha de dois anos e meio, o ex-acolhido conta que não foi fácil se livrar do vício, mas o apoio da família e o trabalho feito na comunidade acolhedora foram fundamentais.
“Nunca suportei nem do cheiro do cigarro, mas algumas pessoas que eu achava que eram minhas amigas me incentivaram a entrar nessa realidade paralela. Hoje, eu só mudei graças ao tratamento que recebi na comunidade e o apoio que tenho de todos dia após dia”, destacou.
A chegada ao mundo de Hellen Rebecca, de dois anos e meio, também vem contribuindo para que o Elinaldo se mantenha longe do vício. “Eu sempre pedi a Deus que me desse uma menina e Ele me atendeu. A minha filha me ajuda a esquecer o passado, viver o hoje e pensar num futuro cada vez melhor e próspero”, projeta ele.
Com o marido e o filho trabalhando de carteira assinada como auxiliar de serviços gerais na Casa de Direitos, Crislayne Pereira e Maria José, respectivamente, agradeceram aos Agentes da Paz pelo auxílio no processo de reinserção social e produtiva do ex-adicto.
“Para a gente foi a melhor conquista do mundo ele ter conseguindo um emprego, com todos os direitos, ter como sustentar a própria família e se manter longe do vício. Todos os dias fazemos questão de agradecer a Deus e as pessoas que contribuíram para a recuperação dele”, comentam.
O agente da paz da Rede Acolhe, Eraldo Santos, lembra que o jovem conseguiu tirar – por meio do programa Cidadão Legal - todos os documentos que havia perdido quando estava no vício.
“Quando encontramos Romário ele não tinha RG, CPF, Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS). A partir dessa situação, identificamos a necessidade dele e conseguimos retirar todos os documentos de maneira gratuita para aumentar as chances dele conseguir um emprego”, explica Santos.